|
O
Programa de Governo para A&P (aquicultura e pesca)
O
Presidente Lula lança esta semana com solenidade no Palácio do Planalto
o programa de governo para aqüicultura e pesca. Não se sabe muito
o que vem já que o processo não foi de grandes discussões com o
setor, mas o secretário
Fritch, desde que assumiu, visitou
praticamente todos os Estados e tem, com certeza uma imagem
do que é o setor pesqueiro brasileiro e do que os pescadores dizem
que precisam.
Em
entrevista à rede Globo nesta segunda feira, o secretário adiantou
um pouco do seu pensamento: fortalecer a aqüicultura e a pesca oceânica.
Não é de hoje que estes são os dois caminhos potencialmente mais
prováveis para a produção pesqueira nacional. A forma de atacar
as deficiências é que. No nosso entendimento, devem ser permanentemente
discutidas para as correções de rumo que os programas de desenvolvimento
do setor vão requerer. É preciso estabelecer objetivos claros e
factíveis, mas os caminhos de chegada não devem ser necessariamente
aqueles da partida.
Falou-se
durante a reportagem da necessidade de recuperação dos estoques
costeiros e aí está a parte talvez mais difícil do desafio. O Brasil
não pode abrir mão de aumentar sua produção pesqueira, não pode
esquecer de aumentar as produtividades que hoje não permitem vida
digna aos pescadores, não pode esquecer de garantir pescado a preços
acessíveis à população . Para isso está certo o Secretário em propor
os caminhos em direção ao mar oceano e ao sertão da água doce, abandonando
a praia e o mangue e estabelecendo os rumos para onde se pode aumentar
a produção. Sabe o Dr. Fritch que se não aumentar o volume de pescado
produzido e não for visível o crescimento da oferta para a população
seu trabalho será notado. Mas, voltando ao início deste parágrafo,
não pode a Secretaria deixar de comandar um amplo programa de recuperação
dos estoques com intensa interface com o continente sob pena de
ter abandonado a grande população de pescadores que ali trabalham.
Não vai ser fácil. Ou melhor: não vai ser pouco difícil (se me permitem
essa construção heterodoxa). Aí se encontram interesses que precisarão
ser contrariados, inclusive em Santa Catarina, terra onde o Secretário
cultiva os votos que o tornaram deputado e Prefeito de Chapecó,
cidade de grande importância econômica para o Estado. E não são
interesses exclusivamente pesqueiros. A Secretaria e sue titular
terão que estar presentes nas discussões sobre derramamento de petróleo
no mar e nas baías assim como ter intensiva participação na questão
dos efluentes despejados nos rios lagos e conta. É preciso dar atenção
à ocupação desordenada do litoral pela indústria imobiliária e a
destruição dos mangues, mais pelo avanço das cidades e das indústrias,
ainda que não se descuide do que tem feito a carcinicultura.
Parece
tarefa hercúlea Politicamente no entanto é das mais gratificantes.
Como tem muito por fazer, se o trabalho começar certo aparentará muito
grande qualquer vitória conseguida. E as dificuldades vencidas seguramente
credenciarão a Secretaria e seu titular. Um fracasso no entanto será
prejuízo enorme para o setor pesqueiro. Mas, bate na madeira, isso
nem pensar.
Sérgio
Pinho – Engenheiro de pesca
Comentários Anteriores:
voltar
|