PESCA ESPORTIVA
PESCA COMERCIAL
INSTITUCIONAL
VISITE TAMBÉM
SERVIÇOS
IDÉIAS & NOVIDADES
           Comentário da Semana

UMA JANELA PARA O PROGRESSO

O Brasil é um país singular. Tantas são suas riquezas e tantos os desperdícios que muitas vezes não se consegue avaliar com isenção o que está acontecendo. Tivéssemos menos recursos provavelmente usaríamos com mais parcimônia e com mais eficiência.

Durante anos temos vendido caudas de lagosta e desprezado suas cabeças que valem tanto quanto aquelas se bem soubéssemos cuidar de vendê-las. Durante anos jogamos ao mar toneladas de peixes pescados como fauna acompanhante do camarão na região Norte e que sem serventia aparente servem de comida para aves e outros peixes e crustáceos da região. Durante anos usufruímos inconscientes do trabalho de tantos brasileiros que no seu saber deixaram herança profícua nas lagoas e açudes do Nordeste com a aclimatação de espécies, hora da Amazônia, hora de outros continentes e que hoje matam a fome e dão empregos a milhares de trabalhadores que pensam as vezes que tilápias e tucunarés sempre estiveram ali. O trabalho desses brasileiros, de nascimento ou de coração, ilustre e anônimos produziram mudanças tão consistentemente corretas que não alcançamos compreender se de fato houve alguma mudança.

Dois fatos dos últimos dias me trouxeram a lembrança de homens como Rodolf Von Hering, Arrojado Lisboa, Ademar Braga e tantos outros que injustamente não citarei aqui: o primeiro fato foi a decisão sábia do Diretor geral do DNOCS, Eudoro Santana de transformar um proposto centro demonstrativo de produção de camarões marinhos em Centro de Recuperação do camarão pitu, espécie amazônica difundida por lagos e rios nordestinos durante tantos anos e que agora já quase não se encontra ali. Na verdade, me disse o dr. Eudoro, que a pretensão é instalar um centro de recuperação dessas espécies nativas e aclimatadas para que não se percam estas fontes de alimento e de estudos. Vejo o DNOCS então retomando seus objetivos sonhados de buscador de soluções. Não tivesse sido abandonada a filosofia agora empregada na aqüicultura daquele importantíssimo órgão, com certeza não estaríamos vivendo as crises do pargo que não deve ser pescado com menos de 40 cm., e que não se consegue exportado inteiro com tamanho maior que este.

Tantos anos de atraso alcançamos em pouco mais de meio século, se é que se pode alcançar atraso. Parece que gente há que busca-o com volúpia e persistência. Depois de liderarmos a ictiologia estabelecendo o método da hipofização para a reprodução induzida das espécies migratórias já não possuíamos um centro de referência sobre o assunto. Pelo descaso perderam-se para outras atividade inúmeros apaixonados pelo trabalho piscícola. Oxalá possamos avançar nessa retomada de rumo para que o país possa um dia dar a seus filhos, muitos deles precisados, o direito de usufruir dos inumeráveis recursos nacionais.

Vencer a inércia talvez seja a mais difícil tarefa dessa nova visão que buscamos. Acaba que não é culpa de ninguém. É a herança de um sistema que expulsa os que, com fé, buscam novos horizontes coletivos e andam como se num areal: sem forças avante e com o chão do desânimo que se espalha por todos os lados, segurando os pés. Os passos seguintes dirão se o DNOCS conseguirá, como parece querer, quebrar essa seqüência de decepções.

O outro fato auspicioso vem do Pará. Ali a empresa ECOMAR ganhou o prêmio FINEPE de tecnologia com uma idéia que não é só a concepção de um novo produto. Vem de dentro de anos de busca para a solução de um dos mais graves desafios da pesca do camarão norte: o que fazer com a enorme fauna acompanhante. Sabe-se que para cada quilo de camarão pescado joga-se no mar entre 5 e 15 quilos de peixe, dependendo da época.

Trazer o peixe pareceu sempre ser a mais fácil solução mas nunca se deu respostas para as questões que desse ato advém como: trazer para que? Não há comprador para esse produto que chegaria em terra com o valor de pelo menos o trabalho de seleção e arrumação somado ao combustível gasto na sua refrigeração. É claro que se isso desse dinheiro não havia barco jogando no mar. Também não se pode misturá-lo ao camarão sem comprometer a qualidade do produto principal da pescaria. Assim, trazer esse peixe dá a ele um valor que não se poderá ressarcir. Não podia!

A ECOMAR desenvolveu uma máquina despolpadeira de pescado e está produzindo com esse peixe um excelente medalhão que, por ser produto de mistura, pode ter a quantidade de gordura definida além de ser aditivado com vitaminas e ais minerais a critério do fabricante ou do consumidor. Essa é, não resta dúvida, a solução definitiva que se buscava para a questão da fauna acompanhante. Parte da instalação de uma máquina simples que já está à venda pelo produtor que a desenvolveu em conjunto com a ECOMAR. É também uma solução alvissareira para a desuniformidade de tamanhos do pescado produzido por aqüicultores com baixa tecnologia.

Fiquei feliz com esses dois fatos que são mais que só notícias sobre o setor pesqueiro e quis dividi-los com os amigos da PESCABRASIL. São constatação que o vento pode novamente estar soprando nestes panos. Que 2004 nos traga de volta o espírito de Rudolf V. Hering, Ademar Braga, e do Alte. Paulo

 

 Sérgio Pinho – Engenheiro de pesca


Comentários Anteriores:

voltar

Home               E-mail