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A revista VEJA publicou
na semana de 30/05 a 07/06 de 2.003 matéria sobre a pesca brasileira
com informações de pesquisadores do programa REVIZEE. Nós enviamos
carta à redação daquela revista com o seguinte teor:
Sr. Redator
A matéria sobre
a produtividade pesqueira no Brasil não traz a realidade do setor
pesqueiro nacional. Não é de hoje que um grupo de “cientistas” tem
se empenhado em confundir a opinião pública fazendo-a crer que a
atividade da pesca é inviável entre nos.
Também
não é de hoje que alguns “pesquisadores” que trabalharam para o
REVISEE vem de público lançar dados inconclusos com intenções tão
variadas como obscuras.
Antes
de mais nada é preciso que as instituições, e não os pesquisadores,
publiquem os dados e suas conclusões para discussão com a sociedade
civil interessada na atividade, com detalhes como materiais, métodos,
meios utilizados para coletas, tempo dispendido, locais e épocas
pesquisadas, estações de coleta, número e duração dos cruzeiros
e a forma como foram feitos entre outras informações necessárias
ao cotejamento que se impõe a pesquisa séria e incontestável. Se
Veja possui cópia desses trabalhos, por favos dê ciência à sociedade
pois há anos se espera por esses resultados que nunca aparecem a
não ser em extratos que não permitem avaliação e em ocasiões tão
esporádicas como especiais e com intuito claramente destrutivo.
Não
é de hoje que se fala na queda de produtividade da sardinha e da
lagosta apontando sempre a sobrepesca como causa, sem qualquer aprofundamento
na análise da ocupação desordenada e predatória das áreas litorâneas,
do derramamento indiscriminado de esgotos domésticos e industriais
não tratados, desastres com navios e prospecções de petróleo com
microondas, nas áreas de reprodução dessas espécies.
Não
está claro também o que se pretende quando se tenta confundir pesca
de pelágicos com pesca de fundo dando ao cidadão desavisado a impressão
de que se trata da mesma coisa. As espécies de fundo como caranguejo
e peixe-sapo mal foram descobertas, e o foram pelos pescadores e
não pelos “cientistas do REVISEE”, começam a ser exploradas já com
rigoroso controle de um grupo técnico-científico que propõe o estabelecimento
de limites no esforço ou na captura para garantir a reposição dos
estoque. Esses sim, trabalhos publicados pela UNIVALI e a disposição
da sociedade.
Atuns
e afins são ordenados pela ICCAT – Comissão Internacional para Conservação
do Atum Atlântico, da qual o Brasil faz parte com grande atuação
do setor privado e do Itamarati nos últimos 5 anos. Das espécies
exploradas comercialmente em nossas águas, somente o espadarte tem
cotas estabelecidas e o Brasil tem sim conseguido aumentar suas
cotas reduzindo as cotas de outros paises como Japão e Espanha que
apesar de não costeiros do Atlântico Sul, possuíam direitos maiores
que o Brasil em suas águas adjacente. As demais espécies aqui exploradas,
para informação do pesquisador, ainda não tem cotas estabelecidas.
Com certeza terão em futuro breve e o Brasil precisa estar preparado
para reivindicar sua parte, com volume de capturas histórico que
o credencie a merecer uma fatia condizente com sua ZEE, já que se
trata de espécies altamente migratórias.
A
pesca brasileira como de resto todo o setor pesqueiro mundial tem
graves problemas a serem equacionadas, a maioria deles no entanto
são alheios a atividade e mais relacionados a poluição e ocupação
desordenada da costa que de sobrepescas como podem fazer crer algumas
afirmações. O que existe no Brasil e em todo o mundo são muitos
barcos operando sem licença de pesca (piratas) que os poderes públicos
não dão conta ou não querem de impedir.
O
caso da criação de camarões é exemplar: que estudos existem no Brasil
para dimensionar as áreas de mangue degradadas pela ocupação urbana
comparadas com a carcinicultura? As normas de controle e licenciamento
da aqüicultura no Brasil são cômicas e tem por finalidade lançar
os produtores na clandestinidade. As empresas americanas com investimentos
no setor agradecem.
Não
há dúvida que se tem de reduzir a captura de algumas espécies, mas
se há também de controlar o lançamento de efluentes tóxicos nos
rios, baias e mares. Há de se controlar a sísmica do petróleo e
o transporte de cargas perigosas nos rios e na costa brasileira,
dando garantias de segurança para essas atividades. Só então se
poderá cotejar seriamente a responsabilidade da pesca na redução
dos estoques.
Não
estamos aqui defendendo as propostas da nova Secretaria de Aqüicultura
e Pesca, como os resultados do REVISSEE, não as conhecemos ainda,
mas não questionamos o acerto do Presidente da República ao criar
um instrumento de desenvolvimento do setor pesqueiro de Brasil e,
oxalá, a nova
secretaria consiga transformar a pesca brasileira em opção econômica
geradora de empregos e riquezas. Isso no entanto só ocorrerá quando
o órgão estatal pesqueiro conseguir centralizar o controle sobre
o ordenamento a pesquisa a estatística o licenciamento e o fomento
da atividade no pais.
Sérgio
Pinho – Engenheiro de pesca
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