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Pesca
de pirarucu sem manejo causa problemas na região
Ribeirinhos da Reserva Mamirauá são orientados sobre
como e quando capturar
Apesar da diminuição das populações
do pirarucu, a sua pesca ainda é uma importante fonte de
renda para muitos pescadores artesanais. Dentre os peixes de escama
de água doce do mundo, nenhum cresce tanto quanto o pirarucu,
que chega a medir três metros comprimento e pesar 200 quilos.
Diferente da maioria dos peixes, o pirarucu precisa subir até
à superfície da água a cada 5-15 minutos para
respirar. Ele morre afogado se não "boiar" para
respirar. O pirarucu reproduz pela primeira vez aos 5 anos de vida,
quando mede cerca de 1,65m de comprimento, e pesa cerca de 40 quilos.
A complexa
reprodução envolve a formação de casais,
a construção de ninhos escavados no fundo do lago
(os "panelões") e o hábito territorial.
O pirarucu protege o seus filhos por mais ou menos três meses,
quando atingem cerca de 35 centímetros de comprimento. Predador
do topo de cadeia alimentar, o pirarucu come peixes menores como
as sardinhas, branquinhas, bodós, piranhas, e outros.
As
primeiras medidas tomadas pelo governo para manejar a pesca da espécie
não tiveram resultados satisfatórios. Foi estabelecida
a época de defeso que proíbe a pesca da espécie
durante a fase de reprodução (dezembro a maio), e
ainda foi estabelecido o tamanho mínimo de captura em 1,5
metros de comprimento total. Mas os pescadores não foram
consultados sobre a implementação dessas regras nem
educados sobre a razão dessas medidas. Iniciou-se assim um
injusto jogo de pega-pega em que o culpado é difícil
de ser identificado, pois o "governo" que representa o
interesse da sociedade, persegue o "pescador" que depende
da pesca do pirarucu comprado pela sociedade.
A situação
é mais crítica no Amazonas, onde a pesca do pirarucu
está completamente proibida nos últimos seis anos,
admitindo-se apenas a exploração e comercialização
de peixes provenientes de criação ou de áreas
manejadas. Muitos pescadores, que desconhecem a possibilidade de
pescar pirarucu legalmente através de um plano de manejo,
e para os quais a pesca do pirarucu chega a contribuir com 70% da
renda, continuaram a pescar e vender o peixe na ilegalidade, porque
a imensidão da Amazônia e a falta de recursos impossibilitam
a efetiva fiscalização.
MANEJO
Por outro lado, há mais de 50 anos um número crescente
de pescadores artesanais, cujo estilo de vida é ameaçado
pela diminuição dos estoques de pirarucu, tem lutado
para manejar os seus lagos. Estima-se que cerca de 15% dos lagos
da Amazônia são manejados de alguma maneira, envolvendo
milhares de pescadores e, na maioria das vezes, o peixe gigante.
Esse
manejo tradicional baseia-se no conhecimento empírico adquirido
através da lida diária, o chamado "saber caboclo".
Um exemplo claro da eficácia desse manejo é o caso
dos lagos manejados pelos pescadores da região de Santarém
que, em parceria com o Projeto Várzea e o Projeto Iara, produzem
duas vezes mais peixe do que lagos não manejados.
Outro
exemplo é o da Reserva de Desenvolvimento Sustentável
Mamirauá, situada na região de Tefé, Médio
Rio Solimões. Lá, um número crescente de comunidades
tem inovado sua forma tradicional de pescar o pirarucu. Pesquisa
científica realizada pelo Instituto Mamirauá mostrou
que alguns pescadores são capazes de contar com precisão
o número de pirarucus dos lagos no momento em que eles sobem
à superfície para respirar. Assim, o conhecimento
tradicional do pescador experiente foi incorporado a um revolucionário
modelo de manejo comunitário que está sendo testado
desde 1999 por uma associação de pescadores da região,
sob acompanhamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Fonte:
Jornal - A Crítica - Manaus-AM - Cidades
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