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Pesca
é proibida por 30 dias no litoral sudeste
Gustavo Goulart e Paulo Mario Martins
O
presidente do Ibama, Marcus Barros, decidiu proibir por 30 dias,
inicialmente, a pesca no mar nas áreas atingidas pela mancha
negra que se estende por 120 quilômetros de litoral, do Farol
de São Tomé, em Campos, até Marataízes,
no Espírito Santo. Barros vai solicitar à Marinha
o envio de mais um navio para fiscalizar a região e reprimir
a pesca numa faixa de 40km a partir da orla marítima. A proibição
será efetivada através da extensão, aos pescadores
de água salgada, da portaria que interdita a pesca em água
doce por três meses.
Ontem
a mancha foi vista a cerca cinco quilômetros do litoral de
Marataízes, segundo o presidente do Ibama, que sobrevoou
a região. O anúncio da proibição foi
feito à tarde, após uma reunião em São
João da Barra da qual participaram a presidente da Feema,
Isaura Fraga, o secretário estadual de Agricultura, Abastecimento,
Pesca e Desenvolvimento do Interior, Christino Áureo, o prefeito
Alberto Dauire Filho e técnicos em meio ambiente e da Defesa
Civil.
É uma medida preventiva. Sabemos que a mancha não
é tóxica, que a causa da mortandade no Rio Paraíba
do Sul foi a falta de oxigênio, mas ainda não sabemos
os efeitos dela nos peixes do mar. Ainda não encontramos
nenhum peixe morto na área atingida. Mas não posso
recomendar o consumo do pescado porque ainda não sei os efeitos
disse Barros.
Depois
da reunião, ele sobrevoou a área e constatou que mancha
de poluição está se afastando, e em bloco.
Barros pediu à UFRJ uma pesquisa para analisar o solo, a
água e os peixes da região, tanto de água doce
como de mar.
Mancha
pode ter se diluído em alto-mar
Christino
Áureo disse que ontem começaram a ser coletadas amostras
de peixes do mar para análise da Feema. O objetivo é
saber os efeitos da mancha na fauna marinha. Segundo Rômulo
Fernandes, diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama, o impacto
da presença da mancha no mar é mínimo. Ele
informou, no entanto, que, embora pequena, existe a possibilidade
de a mancha atingir a Região dos Lagos. Mas explicou que
os resíduos estão se afastando cada vez mais da costa:
A mancha tem agora o desenho de um funil, cuja boca é a foz
do Rio Paraíba do Sul. Para o Sul, na altura do Farol de
São Tomé (em Campos), ela está a uma distância
de dez quilômetros da costa.
Hoje
sairá o resultado da análise feita pela Feema em peixes
do Rio Paraíba do Sul. Esses exames vão nortear as
decisões sobre as atividades pesqueiras na região.
Christino Áureo solicitou à Superintendência
do Banco do Brasil no Rio técnicos para compor um grupo de
trabalho que avaliará a dimensão dos prejuízos
de agricultores e pecuaristas na área atingida pelo desastre.
O
secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo, Luiz
Fernando Schettino, acredita que a mancha de poluentes vista anteontem
na praia de Presidente Kennedy, a cerca de 30km de Marataízes,
tenha se diluído no mar:
Acreditamos que a chuva e a maré tenham diluído a
mancha. Vimos apenas traços dela num raio de oito a 20 quilômetros
da costa.
Os
técnicos que fizeram o percurso pelo mar coletaram amostras
da água. Elas serão submetidas à análises
para verificar se os rejeitos tóxicos atingiram o estado.
Se ficar confirmado, vamos pedir ressarcimento dos impactos sociais
e que parte da multa aplicada à indústria Florestal
Cataguazes seja destinada ao Espírito Santo para estruturar
o setor ambiental disse Schettino.
Não
são somente os pescadores que estão prejudicados com
a suspeita da presença dos rejeitos tóxicos no litoral
capixaba. O setor hoteleiro do Espírito Santo já amarga
uma baixa nas reservas para a Semana Santa. Os 30 hotéis
e pousadas do balneário de Marataízes, que costumam
ficar lotados durante os feriados, registraram redução
de 50% na procura por vagas.
Todo mundo está com medo de ter soda cáustica na beira
do mar. Esperamos recuperar o prejuízo com o esclarecimento
de que não há nenhuma mancha disse o dono de
uma pousada, Marco Novaes.
Pescadores
de mar receberão auxílio
Na
reunião ficou decidido que os pescadores de mar também
serão assistidos pelo salário-desemprego do governo
federal, no valor de um salário-mínimo mensal. Segundo
o presidente do Ibama, a medida provisória para garantir
a liberação dos recursos está pronta. Os recursos
virão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). No Norte e
no Noroeste fluminenses há quatro colônias de pesca
(São Fidélis, São João da Barra, São
Francisco de Itabapoana e Campos).
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