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Tecnologia
faz a diferença
08/02/2003
Na
entrada da Baía de Guanabara, o pesqueiro Alfeu Furtado aguarda
autorização para abastecer. Ele está em um
dos barcos mais modernos do país. "Aonde tiver notícia
de pescaria a gente vai", diz Alfeu, chefe de manutenção.
E
vai bem equipado. Navegador via satélite, radar, piloto automático,
sistema de comunicação com rádios e telefones
celulares de alcance mundial. Mas o principal equipamento é
o sonar, usado para localizar cardumes.
O
aparelho emite uma onda sonora de alta freqüência. O
raio de ação é de 600 metros. O que permite
descobrir a posição, velocidade e até a forma
do cardume.
Barcos
assim tão sofisticados são minoria nas águas
brasileiras. Um estudo do Ministério da Agricultura, do ano
2000, mostra que este tipo de embarcação, geralmente
ligado a grandes empresas, responde por apenas 6% da frota pesqueira
nacional. Em outros países, já há algum tempo
a pesca tem a ajuda de equipamentos de última geração.
Nos
Estados Unidos, os pescadores usam tecnologia militar para a captura
de peixes. Fotos de satélite informam as temperaturas da
superfície do mar e ajudam a encontrar os cardumes. No Japão,
os cardumes são atraídos por jatos d'água.
Quando os peixes se aproximam, são fisgados por varas automáticas.
Tecnologias
como estas são desconhecidas para a grande maioria dos pescadores
brasileiros. "A pesca em si só dá pra tentar
alimentar a família, mais nada", lamenta o pescador,
Pedro Muniz.
Para
navegar a 200 quilômetros da costa, um pesqueiro de atum usa
GPS, sistema de posicionamento global via satélite, e uma
sonda. O aparelho, mais comum nos pesqueiros do Brasil, identifica
cardumes por ondas sonoras. Mas tem limitações. O
sinal é vertical, e quase sempre num ângulo de 20 graus.
Com isso, peixes que passam a alguns metros de distância não
aparecem na tela.
O
dono do barco Fernando Siqueira explica que a pesca é sempre
uma loteria.
-
Quanto é que o senhor gasta pra fazer essa viagem? - A gente
gasta de R$ 17 mil a R$ 18 mil. - E quanto o senhor tem de lucro?
- Aí vai depender da pescaria, às vezes pode ter lucro,
às vezes pode não ter, daí joga-se com a sorte.
Sorte
que parece faltar ao pescador Aurivaldo Almeida. A rede de quase
dois quilômetros trouxe menos de 30 peixes. "Nós
não temos nenhuma política pesqueira e de financiamento
direcionado à pesca", reclama.
Esta
também é a opinião do professor de gerenciamento
pesqueiro Sérgio Annibal. Ele diz que a tecnologia pode ajudar
a aumentar a pesca no Brasil. Mas afirma que é preciso controlar
o que está sendo pescado para evitar problemas na reprodução
de algumas espécies:
"É
claro que tem que haver uma ação integrada do governo
com a produção pra que se estabeleçam as cotas
de capturas anuais de cada peixe, isso é um problema de integração
entre pesquisa e produção". A Secretaria Especial
de Pesca, criada no novo governo, pretende criar linhas de crédito
para modernizar a frota pesqueira. O secretário José
Fritsch também defende a criação de cooperativas
que podem fazer o peixe chegar mais barato ao consumidor sem intermediários.
"A
nossa meta é que a gente possa estar dobrando nos próximos
quatro anos a produção de pescado no Brasil. Ao mesmo
tempo também qualificar o nosso pescador para que ele possa
através da sua atividade aperfeiçoar a busca daquele
peixe que lhe interessa", afirma Fritsch.
O
secretário acredita que só assim o Brasil vai começar
a recuperar 20 anos de atraso na pesca.
Autor: Jornal Nacional
Link: www.globo.com/jornalnacional
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