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Histórias
de Pescador
PESCA
COM MOSCA OU FLY FISHING
Vinícius Victor Gongora
Aqui começamos com um novo segmento de pesca esportiva que
com o tempo vem caminhando ou melhor, "engatinhando" no
Brasil, mas já tem se mostrado forte e persistente, angariando
vários adeptos que, por sua simplicidade e beleza plástica
em seus movimentos, arremessos e leveza, está conquistando
o coração de todos os pescadores que se digam esportivos,
é como sempre digo "O Fly não é uma pescaria
em si, mas uma Filosofia de Vida e Respeito a nossa Mãe Natureza".
Portanto, fica aqui mais um convite aos usuários deste Site
em acompanhar este novo aprendizado desta modalidade nova, mas antiga
no Velho Mundo, e que de tempos em tempos serão dadas dicas
e técnicas, que de sobremaneira, eu garanto, farão
com que se tornem em verdadeiros Flyfishermans. Esta modalidade
é, sem sombra de dúvida, a mais esportiva e a mais
antiga na pesca com iscas artificiais. Segundo alguns historiadores
e pesquisadores da área, o Fly surgiu em torno do ano de
1496 (501 anos atrás), na Inglaterra, num tratado entitulado
de "The Boke of St.Albans", escrito por Dame Juliana Berners
ou Abadessa de Sopwell, num Convento, onde as Irmãs e Madres
em suas orações diárias à beira de um
riacho próximo, observavam que alguns peixes vinham à
superfície se alimentar de alguns insetos que pousavam, e
a partir daí e com as mudanças de estações,
principalmente no inverno, onde o alimento ficava mais escasso,
junto com a sutileza e criatividade feminina, elas cortaram crinas
de cavalos emendando-as, para servir de linha, um galho flexível
e longo como vara e tentavam imitar, artesanalmente com pelos, lãs,
penas e pequenos pedaços de pano, nos anzóis rústicos,
os insetos que caiam nágua.
Se prostavam a beira do riacho às escondidas, lançavam
suas moscas e de pronto alguns peixes menos desavisados eram pegos
e servidos como refeição nos dias mais rigorosos de
inverno ou de menos fartura e mesmo nesta época, segundo
o tratado, existia uma certa preocupação de proteção
ambiental: "Além disso, você não precisa
ser tão voraz em suas capturas, levando muitos de uma vez...o
que poderia ocasionar a destruição de seu esporte
e do de outros homens...quando tiver uma porção suficiente,
não deverá cobiçar mais por esta vez...".
Desta nova descoberta, que inicialmente foi utilizada na pesca de
trutas, evoluiu-se depois, para outros tipos de peixes. Hoje em
dia podemos pescar com moscas praticamente todos os tipos de peixes
predadores, predadores eventuais e muitas espécies não
predadoras. Quando os inglêses começaram a pescar trutas
e salmões, há alguns séculos, eles usavam insetos
artificiais que dada a fragilidade dos verdadeiros, em imitar tanto
a sua forma adulta quanto imatura, que vivem no fundo dos rios e
lagos (as larvas e as ninfas), porém, com o passar do tempo,
começaram a ser inventadas moscas, principalmente nos Estados
Unidos, que imitavam peixinhos, pitus, sanguessugas, enguias, salamandras,
carangueijos, ovas de salmão e até...coisa alguma.
Contudo, o nome "mosca" pegou e toda isca arremessada
com equipamento de Fly é, genericamente, chamada de mosca.
No Brasil com sua fauna ictiológica riquíssima, há
possibilidade de se inventar moscas que também imitam flôres
e frutas, abrindo um campo totalmente inexplorado pelos atadores
de moscas, que poderam dar asas à imaginação.
Aliás, a arte de fazer mosca (Fly Tyier), é um hobby
dos mais absorventes. Assim quando o pescador não estiver
pescando, poderá estar atando suas moscas para uma próxima
pescaria. Devido a falta de literatura em português e a ausência
há até pouco tempo, de equipamentos apropriados para
este tipo de pesca nas lojas especializadas, o esporte nunca conseguiu
evoluir aqui no Brasil, mas com as novas técnicas em construção
de materiais e a abertura das importações, hoje é
possível encontrarmos equipamentos de alta qualidade e preços
para todos os tipos de consumidores. O que caracteriza o arremesso
de mosca, que o difere de todas as outras modalidades de pesca é
que o peso da linha que é arremessado através do ar,
na realidade a mosca só pega uma carona na linha, enquanto
nos outros sistemas é o peso da chumbada ou isca, artificial
ou não, que leva a linha ao alvo, por isso, quanto mais leve
e menos volumosa for a mosca mais fácil será arremessá-la.
Divisão
do Equipamento de Fly
O equipamento para pesca com mosca pode ser dividido em 15 classes
ou sistemas. Isto quer dizer que existem quinze pesos diferentes
de linhas de mosca que flexionarão quinze varas de pesca
de rigidez diferente, por exemplo: se você comprar uma vara
com o sistema número 7, a mesma terá que ser compatível
à uma linha número 7, seja ela flutuante ou que afunde,
pois todas terão o mesmo peso nos dez primeiros metros. Mas
por que o peso é tão importante? A resposta é
simples: com muito peso força-se muito o material e pode
quebrar a vara e pouco peso torna-se difícil ou mesmo impossível
de fazer um bom lançamento. Aliás, quanto mais curta
e mais leve for a vara, mais difícil se torna um bom lançamento,
requerendo do pescador muito mais habilidade. Naturalmente você
não poderá lançar um Streamer de 15 cm para
um dourado com um sistema número 4 e da mesma maneira, você
não usaria um sistema número 12, para lançar
uma mosca pequena atada em um anzol mosquito. Por isso é
importante esclarecer que o pescador de mosca iniciante deverá
primeiro saber que peixe pretende pescar, pois o tamanho da mosca
e as condições para pesca é que determinarão
o sistema a ser usado. Depois disso, aí ele escolherá
a vara compatível e em seguida a carretilha. Segue abaixo
um demonstrativo das classificações gerais dos sistemas
ou classes.
Vara
e linha (classe) Objetivo Distância ideal
Nos. 1 à 4(ultra-leves)
Pesca em córregos, riachos ou pequenas lagoas protegidas
do vento, com moscas sêcas ou molhadas, atadas em anzóis
n. 16 à 28 (mosquito). Peixes: trutas, acarás, lambaris,
tilápias, etc. 7 à 10 mts
Nos. 5 e 6(leves)
Pesca em riachos, rios e lagos pequenos, com moscas n. 10 à
16 ou pequenos bugs. Peixes: trutas, apaiaris, tilápias,
bass, tucunarés, etc. 8 à 16 mts
Nos. 7 e 8(médio)
Pesca em rios em rios lagos de tamanho médio à grande,
com moscas, streamers, bugs, com anzóis n. 1/0. Pesca no
mar, em baias protegidas e canais, embocaduras de rios, etc. Equipamento
ideal p/ maioria dos peixes brasileiros de água doce, com
exceção ao dourado grande. Na água salgada,
é ideal para o robalo, ubarana, etc. 10 à 20 mts
Nos. 9 e 10(semi-pesado)
Pesca em rios e lagos grandes, longos arremessos, vento forte ,
com streamers e bugs médios/grande. Na água salgada:
robalos grandes, camarupins, dourados, etc. 10 à 25 mts
Nos. 11 à 15(pesado)
Pesca no mar, longos arremessos, vento forte, com streamers e bugs
grandes. Peixes: camarupins, dourados, peixes de bico 15 à
25 mts
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