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A REINVENÇÃO
DA PESCA
Sérgio Pinho
BSB, Jan/1997
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Acuada na mais permanente e profunda das crises, a atividade pesqueira
nacional tem pago o preço dos erros do passado, cometidos
tanto pelo setor privado quanto e principalmente pelos gestores
estatais da atividade. A banalização das medidas de
intervenção estatal na atividade, retiraram da sociedade
civil ao longo do tempo, a responsabilidade pela sobrevivência
da atividade como setor econômico organizado e produtivo.
Vive-se um momento de absoluto controle teórico da pesca
ao tempo em que o número de barcos que exerce a atividade
sem qualquer controle é várias vezes maior que aquele
dos barcos registrados. Materializou-se o verso de Chico Buarque:
De tanto usada a faca já não corta. Em linguagem mais
popular: o Estado, de tanto errar, perdeu o respeito daqueles que
exercem a pesca como meio de vida. Medidas com vistas ao controle
do desfrute de estoques pesqueiros tem sido lançadas sem
maiores preocupações com seu efetivo cumprimento.
Como se os gerentes estatais quisessem sinalizar que estão
cumprindo seu dever de "organizar" e que a outra parte
é a responsável pelos sucessivos fracassos nacionais
na atividade.
Por
outro lado o setor privado quando reivindica providências
governamentais, o faz em bases imediatistas, para resolver o problema
do dia ou para consertar algum desmando que o ímpeto autoritário
do ordenador conseguiu produzir. A desculpa de que luta-se contra
a morte total da atividade não pode ser aceita para justificar
a ausência de uma frente de discussão pelos direitos
dos pescadores e por planos setoriais para o desenvolvimento da
pesca. A falta de organização da sociedade civil leva
invariavelmente à ditadura da burocracia. Pior quando alguns
elementos da sociedade se aliam a esta burocracia e usufruem de
vantagens que os diferencia dos demais, dando-lhes uma imagem de
eficiência e modernidade enquanto todos os demais são
tratados como incompetentes.
A pesca
brasileira corre este risco, já que a cada tentativa governamental
de alentá-la, aparece um novo patamar burocrático
reivindicando uma fatia de poder sobre o que sobra desta atividade
que bem poderia ser solução para tantos problemas
e tantas famílias brasileiras.
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