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Artigos
SUMÁRIO
SOBRE A AQÜICULTURA MUNDIAL
Getúlio
de Souza Neiva
Veterinário/Biólogo Pesqueiro
(gegeneiva@tba.com.br)
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Introdução
O cultivo de peixes é uma atividade milenar. Na época
atual, o cultivo de animais e plantas aquáticos tornou-se
um excelente negócio na Ásia, América Latina,
América do Norte e Europa. A atividade tem propiciado importantes
benefícios econômicos e nutricionais para muitos países
em desenvolvimento. Em realidade, a aqüicultura concentra-se
esmagadoramente em países em desenvolvimento os quais respondem
por 85% da produção mundial em volume e 71% em valor,
segundo dados da FAO. Ainda, segundo a FAO, o potencial da aqüicultura
para produzir alimentos de qualidade, gerar riquezas e empregos,
tem sido demonstrado pela rápida expansão do setor
que tem crescido, desde 1984, a uma taxa anual de 10%, comparado
com 3% da pecuária de corte e 1,6% da pesca extrativa.
Atualmente,
os pequenos produtores rurais vêem a aquicultura, em especial
a piscicultura, como meio de diversificar sua produção,
reduzindo os riscos da atividade agrícola, e de complementar
sua alimentação com proteínas de alta qualidade.
Neste caso, o cultivo de peixes exige poucos investimentos e a produção,
quase sempre, se mantém naturalmente com o próprio
alimento gerado nos tanques de cultivo, suplementado com subprodutos
e restos não aproveitáveis da atividade agropecuária.
Obviamente, o sucesso desta atividade aqüícola em uma
propriedade rural vai depender, fundamentalmente, da localização
e disponibilidade da terra e de recursos hídricos.
A aqüicultura,
não obstante, está sujeita a riscos ambientais e doenças.
A aqüicultura marinha e estuarina sofre a ameaça da
poluição costeira, cada vez mais intensa. Neste sentido,
é de salientar os riscos da poluição orgânica
, acarretada pelos esgotos, contaminação microbiana,
sedimentação, poluição química,
modificações ambientais, etc. Outrossim, a instalação
de projetos de cultivos nas regiões litorâneas, por
exemplo, passou a atuar, em contrapartida, como um importante obstáculo
inibidor para projetos industriais potencialmente poluidores dessas
áreas, bem como um importante indicador da ocorrência
de poluição em conseqüência dos efeitos
danosos sobre os cultivos. A importância da expansão
de cultivos em áreas litorâneas, neste sentido, é
da maior importância para a melhoria das suas condições
ambientais, pelas conseqüências legais que poderão
atingir os responsáveis pela poluição, obrigando-os
a pagar pelos prejuízos não só ambientais como
, também, pelos prejuízos econômicos e sociais
causados aos cultivadores e por danos à saúde dos
consumidores. A disseminação dos cultivos litorâneos,
assim, além das vantagens sócio-econômicas que
produzem, pressionarão as autoridades governamentais para
serem mais exigentes e atuantes nas suas ações voltadas
para a melhoria da qualidade dos ambientes estuarinos e marinhos.
Este
artigo pretende transmitir, a leigos e interessados no assunto,
algumas informações sobre o desenvolvimento da aquicultura
mundial. Para tanto, nos valemos de algumas publicações
sobre o assunto e, em especial, da publicação do Departamento
de Pesca da FAO: Review of the state of World Aquaculture (FAO Fisheries
Circular # 886, 1997).
2.
Produção Extrativa e Produção Aqüícola
Segundo
a FAO, a produção total de peixes, crustáceos,
moluscos e plantas aquáticas (7,8mmt), alcançou, em
1995, a cifra de 120,7 milhões de toneladas. De 1989 a 1995,
a produção cresceu 15,6 milhões de toneladas.
Se
considerarmos , apenas, a produção de peixes, crustáceos
e moluscos pela aqüicultura, ela representou, em 1995, 18,5%
da produção total dessas categorias. Se incluirmos
a produção de plantas colhidas e cultivadas, a produção
da aqüicultura sobe para 23% da produção total.
Em 1995, a produção total da aqüicultura mundial
foi estimada em 27,8 milhões de toneladas com um valor de
US$ 42,3 bilhões. Comparativamente ao ano de 1994, observou-se,
para a aqüicultura, um aumento de 9,6% e de 5,2%, respectivamente,
para produção e valor.
3.
Países Maiores Produtores
A produção
aqüícola situa-se, predominantemente, na Ásia
que representa mais de 90% da produção mundial. China,
Índia e Japão respondem, respectivamente, por 63,4%
(17,6 milhões de toneladas), 5,8% (1,6 milhões de
toneladas) e 5,1% (1,4 milhões de toneladas) da produção
mundial. Entre outros menores produtores, destacam-se : Coréia
(3,7% ou 1,0mt), Filipinas (2,9% ou 0,8mt), Indonésia (2,6%
ou 0,7mt), Tailândia (1,7% ou 0,5mt). O oitavo maior produtor
em 1995 foi os EEUU com 1,4% ou 0,4mt.
É
de notar-se que em 1995, 21,6 milhões e toneladas ou 78%
da produção aqüícola foi originária
dos países de baixa renda e déficit alimentar. Relativamente
a contribuição da aqüicultura em relação
a produção total dos países maiores produtores,
observa-se uma variação de 7 a 60%, como :
Contribuição
da aqüicultura para a produção (%) nacional por
país
Chama
a atenção o fato de que dentre os 67 países
incluídos na faixa de baixa renda e deficit alimentar (LIFDC
Low-income food-deficit countries), somente a China representa
82% da produção aqüícola total desses
países. Entre 1984 e 1995, a aqüicultura na China expandiu
13,6% ao ano, enquanto os demais países juntos cresceu apenas
5% aa. O baixo crescimento da aquicultura nesses países ,
apesar da grande vocação para a atividade, deve-se
a fatores como: insuficiência de terras, litoral pequeno ou
inadequado, suprimento de água limitado, baixa prioridade
governamental para a atividade, infra-estrutura e capacidade institucional
e técnica limitadas, financiamento restrito.
Ambientes
Usados na Aqüicultura
Segundo
a FAO, nos últimos 5 anos observou-se um crescimento de 2,6%
aa. nas áreas de cultivo estuarinas , enquanto nas áreas
de água doce e marinha o crescimento foi de 10,8% e 10,6%,
respectivamente.
Quando
se exclui, da produção total , o cultivo de plantas
aquáticas, o ambiente de água doce predomina com 63%
da produção total de peixes, crustáceos e moluscos
cultivados. Nesse caso, cultivo em água salobra contribui
com 7,0% e em água marinha 30,0%.
Contribuição
dos Ambientes para a Aqüicultura (FAO, 1995)
Relativamente
a maricultura, 90% da produção refere-se a consumidores
primários (52% plantas aquáticas e 38% animais filtradores),
8% para peixes carnívoros e 1% para crustáceos. Excluindo-se
o cultivo de plantas aquáticas, a produção
é representada por 81% de moluscos com valvas, 17% por peixes
carnívoros e 2% por crustáceos.
Quanto
a produção mundial em ambientes estuarinos (águas
salobras), sobressaem os crustáceos (camarões), com
cerca de 55%; os peixes (red fish, tilápia, alguns peixes
diádromos), com (34%); moluscos, com 10% e plantas com 1%.
Já
os ambientes de água doce são usados para produção
de peixes de baixo valor, como carpas e tilápias (99%); crustáceos
(0,9%) e plantas (0,1%).
Grupos
e Espécies Mais Representativas na Aqüicultura
Relativamente a produção mundial de 1995 (27,8 milhões
de t.) e ao seu valor (US$ 42,33 bilhões), temos :
Em
1995, cerca de 250 espécies foram cultivadas. Dessas, 65%
produziram entre 10.000 e 99.000 t. e 32 espécies contribuíram
com produções entre 100.000 e 1.000.000 t. Apenas
8 espécies produziram mais que 1 milhão de t. A tabela
que segue, segundo a FAO, relaciona essas espécies:
Nome
comum / Espécie / Produção (milhões
t).
Kelp (laminária) / Laminaria japonica / 4,055
Carpa prateada / Hypophthalmichthys molitrix / 2,555
Carpa capim / Ctenopharyngodon idellus / 2,103
Carpa comum / Cyprinus carpio / 1,783
Várias espécies de água doce Osteichthyes /
1,275
Carpa cabeça grande / Aristichthys nobilis / 1,257
Escalope (Vieira) / Pecten yessoensis / 1,144
Ostra do Pacífico / Crassostrea gigas / 1,001
Todas
essas espécies representam organismos situados em níveis
baixos da cadeia alimentar (animais filtradores, herbívoros/onívoros
ou plantas).
No
que diz respeito aos crustáceos, são produzidos em
menores quantidades, porém são de alto valor comercial.
Entre as espécies principais de camarões cultivados,
destacam-se, segundo a FAO:
Nome
comum / Espécie / Produção(t) /% Prod. Total
/ Posição no ranking
Tigre gigante/ Penaeus monodon 502.701 / 56,0 / 14
Vários/ Penaeus spp/ 162.162 / 17,4 / 32
Cam.branco/ P. vannamei/ 105.378 / 11,3 / 39
Cam.fleshy /P. chinensis /78.820 / 8,8 / 42
Cam.banana/ P. merguiensis /33.995/ 3,8 / 56
Cam. azul / P. stylirostris / 9.872 / 1,0 / 89
Lagostinho branco/ P. indicus/ 2.374/ 0,3 /126
Lagostinho kuruma/ P. japonicus/ 2.240/ 0,2 /127
Total
Peneídeos 897.542 / 96,3
Total cam./lagostinhos 932.000
Em
1995, registrou-se alto crescimento do cultivo de tartarugas, com
uma produção de 19.070 t. Apenas a produção
de tartaruga de água doce (Trionix spp.), na China, cresceu
de 4.400 t, em 1994, para 17.500 t, em 1995.
A produção
chinesa de cultivo de siris e moluscos marinhos não classificados
elevou-se de 10.000 t (1994) para 48.000 t, (1995) e 188.000 t (1994)
para 559.000 (1995), respectivamente.
6.
Aqüicultura na América Latina e Caribe
A aqüicultura
cresceu na região, entre 1984 e 1995, a uma taxa média
de 12,8%. A produção total em 1995 foi de, aproximadamente,
499.000 t. com um valor de US$ 1,87 bilhões, representando
1,8% e 4,4% da produção mundial em volume e valor,
respectivamente. Em 1995, a aquicultura contribuiu com 2,3%, em
volume , para o total da produção pesqueira da região
(captura + cultivo).
Sete
países representam, aproximadamente, 92% da produção
total aqüícola da região, em 1995: Chile (41,4%),
Equador (18,3%), México (13,8%), Colômbia (7,3%), Brasil
(6,1%), Cuba (4,2%), Costa Rica (1,4%). Das três sub-regiões,
a produção foi de 378.000 t (75,8%) na América
do Sul; 94.000 t (18,9%) na América Central e 26.000 (5,3%)
no Caribe. As taxas de crescimento anuais, na América do
Sul, foram de 21,8%, entre 1984 e 1988, e de 15,1%, entre 1990 e
1995. A aqüicultura na América do Sul está voltada,
basicamente, para a exportação, destacando-se os salmonídeos
e os camarões cultivados. Esses produtos são exportados,
principalmente, para os EEUU, Japão e Europa, representando
82,1% do valor total da produção aqüícola
da região.
A produção de salmonídeos do Chile , em 1995,
representou 28,4% (141.000 t.) em volume e 30,5% ( US$ 570,3 milhões)
em valor da produção aqüícola total da
região.
A produção
de camarões cultivados representou 18,2% (90.000 t.) da produção
aqüícola total da região em volume e 51,5% (US$
963,0 milhões), em valor.
A produção
de salmão cultivado, no Chile, em 1995, representou 15,0%
da produção mundial de salmonídeos cultivados.
As espécies mais cultivadas foram : Truta arco-íris
(Oncorhynchus mykiss) com 37,0%; salmão do atlântico
(Salmo solar) com 35,0%; e salmão caho (O.kisutch) com 28,0%.
A produção, que cresce exponecialmente, é beneficiada
por inúmeras áreas costeiras protegidas; rações
de baixo custo, derivadas da farinha de peixe (anchoita) abundante
na região; e colheitas alternadas em relação
as colheitas dos produtores europeus. Grandes investimentos estão
sendo dirigidos para a atividade, com o respaldo da política
governamental . O cultivo da truta vem crescendo rapidamente, no
Chile. Passou de 20 t. em 1988 para 40.000 t. em1995. Colômbia
produziu, desta espécie, 9.000 t.; México 1.500 t;
Argentina 1.400 t.
Quanto
a produção de camarões cultivados, teve crescimento
médio anual de 12,8% entre 1984 e 1995. A produção
de 1995 (146.000 t.) representou 15,6% da produção
mundial de cultivo de camarões. Penaeus vannamei (72%), P.
stylirostris (6,8%), foram as espécies mais cultivadas. Em
1995, onze países produziram mais que 1.000 t. de camarões:
Equador (62,4%), México (11,0%), Colômbia (5,6%), Panamá
(3,6%), Honduras (3,5%), Peru (3,2%), Guatemala (2,0%), Costa Rica
(1,8%), Nicarágua (1,7%), Brasil (1,4%), e Belize (1,2%).
Quanto
as algas, a Gracilaria é produzida, principalmente, no Chile
(49.000t. em 1995).
Ostras
(Crassostrea virginica) representa 65% da produção
de moluscos na região.
A aqüicultura
de água doce representou 19,8% do total produzido na região
em 1995. A tilápia vermelha experimentou as maiores taxas
de crescimento devido aos altos preços e o aumento da demanda
do mercado internacional. Os principais produtores são: Colômbia,
México, Cuba, Costa Rica e Jamaica. Alguns cultivos intensivos
merecem destaque, em 1995, na Jamaica (2.800t.) e Costa Rica (3.800
t.). As principais espécies cultivadas, foram: Oreochromis
spp. (43%), O. niloticus (37%) e O. aureus (19%).
Estima-se
que na América Latina tenha não menos que 11 milhões
de hectares de superfície de água em reservatórios,
a quase totalidade no Brasil. A pesca nessas áreas é
estimada em 12% do seu potencial. Os principais problemas que impedem
o desenvolvimento da aquicultura nessas áreas são
de caráter administrativos e institucionais.
7.
Considerações sobre o Comércio Internacional
O comércio
de alimentos marinhos alcançou ,em 1990, US$ 35,8 bilhões,
passando para US$ 52,0 bilhões em 1995. A pauta de exportações
dos países em desenvolvimento passou de 44% em 1990 para
51% em 1995. As receitas líquidas das trocas comerciais aumentou
de US$ 10,4 bilhões para 18,0 bilhões, no mesmo período.
Em
geral, produtos aqüícolas têm ajudado a estabilizar
o comércio de produtos e abaixar os preços. Os principais
produtos da aquicultura comercializados em 1995, foram: camarões,
salmão e moluscos. Outras espécies vêm mostrando
forte crescimento, como: tilápias, seabass e seabream.
O principal
produto no comércio internacional são os camarões
marinhos e o cultivo tem sido o expressivo fator de crescimento
desse comércio. Em 1996, segundo a FAO, 25% ou 700.000 t
vieram do cultivo. Desde os anos 80, camarões cultivados
tem atuado como um fator de estabilização para a indústria
camaroneira. Os maiores mercados são: EEUU, Japão
e, em menor escala, a União Européia. Entre os maiores
exportadores, destacam-se: Tailândia, Equador, Indonésia,
Índia, México, Bangladesh e Vietnam.
O comércio
de espécies de siris tem crescido com o aumento da produção
da aquicultura (1995: 98.000t). Apenas a China exportou 21.000 t.
O comércio
internacional de salmão cultivado cresceu, praticamente,
do zero para mais que 500.000 t em 1996. Noruega é o principal
exportador do salmão atlântico; Chile é o principal
exportador de salmão coho e o segundo para o salmão
atlântico. O EEUU é o principal mercado para Noruega
(70%). Japão e EEUU são os principais mercados do
Chile (60% e 30%, respectivamente). O comércio de trutas
é mais restrito, tendo alcançado, em 1995, 55.000
t de um produção total de 384.000 t Noruega e Chile
estão aumentando a produção de truta pigmentada
para o mercado japonês que, em 1996, importou 36.500 t.
Tilápia
é outro produto que cresce vertiginosamente, tendo alcançado,
em 1995, 660.000 t. A tilápia é hoje o terceiro maior
produto da aqüicultura importado pelo EEUU que, em 1996, importou
19.000 t, após os camarões e o salmão. A tendência
é o aumento das exportações para o EEUU, com
a tendência de queda dos preços, e a conquista do mercado
europeu, ainda pouco desenvolvido para esse produto.
O catfish
americano é hoje o quinto produto mais consumido no EEUU.
A produção nacional destina-se, basicamente, para
o mercado interno, todavia, já há exportação
para o mercado europeu. O sucesso do catfish é semelhante
ao da tilápia: o consumidor procura por filés brancos
e fáceis de preparar.
O comércio
internacional de moluscos é limitado, com menos de 10% da
produção total. Maiores exportadores: China e República
da Coréia. Maiores importadores: EEUU , França e Japão.
A importação de escalope (vieira) congelado e fresco
cresceu de 28.000 t, em 1985, para 60.000 t, em 1995, alcançando
US$ 493 milhões.
A produção
de algas cultivadas cresceu na última década, com
6,1 milhões de t. em 1995 e hoje representa 86% da oferta
total de algas. A China, maior produtor, exporta alga, como alimento,
principalmente, para a República da Coréia e Japão.
A República da Coréia, por sua vez, exporta alga vermelha
(Porphyra) e alga marrom (Undaria) para o Japão (21.000 t
, 21.000t). O mercado europeu importou 58.000 t de algas, em especial,
das Filipinas, Chile e Indonésia, maiores supridores.
O consumo
de animais vivos vem crescendo, principalmente, na Ásia.
Camarões, siris, lagostas, moluscos, algumas espécies
de peixes. O setor parece promissor.
8.
Aqüicultura no Brasil
A produção
da aquicultura no Brasil para 1995 foi estimada pela FAO em cerca
de 30,0 mil t. O IBAMA (Estatística da Pesca, 1996) estimou
em 46,2 mil t, para 1995, e 60,7 mil t, para 1996. Tal diferença,
atribuímos a uma possível melhoria nas coletas de
informações de produção. O quadro abaixo
sumariza os dados de pesca e aquicultura para os anos de 1995 e
1996, segundo o IBAMA.
Produção
(mil t.) 1995 1996
Total (mil t) 652,9 693,2
Extrativa marinha 413,7 422,2
Extrativa de água doce 193,0 210,3
Cultivo marinho 5,4 8,5
Cultivo em água doce 40,8 52,2
A aqüicultura
marinha limita-se a produção de camarões (Peneideos)
e mexilhões e ostras (Mitilídeos e Ostreídeos).
Para 1996, a produção de camarões foi estimada
em 3.364,5 t, a de mexilhões em 5.032,0 t e a de ostras em
93,5 t. Os estados maiores produtores foram: Bahia (1.460,0 t),
Rio Grande do Norte (1.120,0t) e Piauí (360,0 t). A totalidade
de mexilhões e ostras foi produzida por Sta. Catarina (5.020,0
t , 81,5 t) e S. Paulo (12,0 t , 12,0 t).
Relativamente
à aqüicultura em água doce , da produção
total para esse meio, 51.331,0 t refere-se a peixes; 485,5 t a camarões;
e 415,0 t a rãs. Os estados maiores produtores, para cultivo
de peixes, foram: Na Região Sudeste/Sul/Centro-Oeste: Paraná
(9.981,0 t), Sta. Catarina (9.455,5 t), S. Paulo (9.020,0 t), Mato
Grosso (6.000,0 t ), Mato Grosso do Sul (3.000,0 t), Goiás
(2.550,0 t), Minas Gerais (1.630,0 t) e Rio Grande do Sul (1.108,0
t); na Região Norte/Nordeste: Bahia (3.140,0 t), Rondônia
(1.131,0 t), Piauí (883,5 t ), Sergipe (387,5 t ) e Acre
(400,0 t).
As
espécies mais pruduzidas de peixes em cultivo são:
carpas (17,853 mt), tilápias (11,800 mt), pacu ( 6,200 mt),
tambaqui (4,800 mt), tambacu (2,506 mt), bagre africano (2,450 mt)
e trutas (1,100 mt).Mais recentemente toma expressão o interesse
para cultivo de surubim/pintado (Pimelodidae), na Região
Centro-Oeste. O Cultivo de camarões (Machrobrachium ) é
pequeno e mais expressivo em Alagoas (185,0 t), Espírito
Santo (120,0 t). O cultivo de rã touro-gigante (Rana catesbeiana
) vem crescendo e é mais significativo em S.Paulo (192,0
t), Goiás (72,0 t), Rio de Janeiro (50,0 t), Minas Gerais
(57,0 t) e Brasília (30,0 t).
9.
Considerações Finais
Esta
breve resenha sobre a aqüicultura mundial deixa claro a importância
da atividade para os países em desenvolvimento, em termos
de geração de riquezas, emprego de mão de obra,
aumento da produção de alimentos de qualidade, defesa
do meio ambiente, geração de tecnologias, etc.
A pergunta
que se faz é: Porque a aqüicultura, que é uma
atividade antiga no Brasil, onde inclusive foi desenvolvida a técnica
de hipofisação, que permitiu a desova em cativeiro
de espécies de piracema, hoje usada em todo o mundo, e onde
dezenas de instituições oficiais e universidades desenvolvem
pesquisas e tecnologias, não é uma atividade economicamente
expressiva?
Segundo
informações estatísticas, nossa produção
pesqueira (1996) está em torno de 700.000t anuais. A produção
aqüícola é estimada em torno de 60.000 t. anuais.
As possibilidades para o aumento da produção extrativa
é reduzida no nosso Mar Territorial, em virtude da limitada
produtividade dos nossos estoques pescáveis, mercê
a baixa produtividade das nossas águas marinhas. Há
possibilidades concretas para o aumento da produção
pesqueira em nossa Zona Econômica Exclusiva e de outros países,
por acordo. Para tanto, precisamos tecnologias modernas, mão
de obra especializada, embarcações adequadas, órgão
gestor do setor forte e compromissado com o desenvolvimento e apoio
governamental, coisas que , no momento, não existem. Resta,
pois, a aqüicultura, que se desenvolve vagarosamente, graças
às iniciativas do setor privado e apesar dos obstáculos,
sempre crescentes, do setor oficial (IBAMA). A cobrança de
taxas para quem quiser estabelecer a aquicultura em sua propriedade,
exigências, exageradas, onerosas e burocratizantes para o
produtor , de Relatórios de Impacto Ambiental , em propriedades
privadas, proibição de captura de sementes naturais
de camarões para cultivo, restrições descabidas
para cultivo de camarões marinhos, em áreas impróprias
para agricultura (apicuns, albinas),etc. precisam ser revistas.
A China,
produz, hoje, em torno de 20.000 milhões de t. de espécies
aquáticas em cultivo. Consome e exporta para vários
países do mundo. O Brasil, mais privilegiado do que a China
para produção aqüícola, produz , há
décadas , um volume irrisório. O que é preciso?
Vontade política para juntar técnicos, produtores,
autoridades governamentais com o objetivo de estabelecer diretrízes
para uma política voltada para o desenvolvimento da aqüicultura
nacional, com vistas ao abastecimento do mercado interno e exportação,
com alocação de recursos para financiamento exclusivo
da atividade, em condições compatíveis para
os diferentes tipos de produtores. Ações concretas,
simples, sem muito blá! blá! blá!
No
momento em que o País necessita gerar riquezas e trabalho,
a curto e médio prazos, a aqüicultura é uma das
atividades mais promissoras que existe para o alcance desses objetivos.
Com
a palavra, nossos governantes.
Brasília,
out./98.
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