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SUMÁRIO
SOBRE A PESCA MUNDIAL
Getúlio
de Souza Neiva - (gegeneiva@tba.com.br)
Introdução
Este
artigo de divulgação pretende, de maneira concisa,
oferecer uma visão panorâmica do desenvolvimento da
pesca mundial. Aos que desejarem se aprofundar no assunto, recomendamos
a publicação do Departamento de Pesca da FAO: Rewiew
of the state of world fishery resources. FAO Fisheries Circular
n# 920. FIRM/C920, (1997), obra que serviu de base para este documento.
Captura
Mundial
A Tabela
#1 sumarisa a evolução da produção mundial
de origem marinha, água doce e aqüicultura, segundo
a FAO (1997). Observa-se que as produções extrativas
marinhas e de água doce mantiveram-se praticamente estáveis,
ao nível de 92,0 milhões de t. A queda verificada
na produção marinha de 1995, da ordem de 550,0 mil
t, foi compensada pelo aumento da captura em água doce, da
ordem de 420,0 mil t.
Estudos
realizados pela FAO concluíram que 44% dos estoques pesqueiros
marinhos encontram-se intensamente ou plenamente explotados; 16%
estão sobrepescados; 6% em estado de depleção
e, 3% em recuperação lenta. Isso significa que 69%
dos estoques conhecidos estão necessitando urgentemente de
manejo. O mesmo estudo concluiu que os estoques de espécies
demersais, (relacionadas com o fundo do mar), de alto valor comercial,
estão sobrepescados e que uma redução de 30%
do esforço de pesca exercido sobre eles é necessário
para reabilitá-los.
A taxa
de crescimento relativo anual das capturas desembarcadas tem decrescido
desde 1950 e aproxima-se do zero, indicando que a produção
máxima dos recursos pesqueiros tradicionais em explotação
está sendo alcançada.
Estimou-se,
por análise global, uma produção máxima
para a pesca mundial de recursos marinhos tradicionais, frente ao
atual quadro de regime global de pesca (caracterizado pelos pequenos
tamanhos de captura e rejeições significantes de pescado
sem valor comercial atual), da ordem de 82,0 milhões de t.
Este valor estaria próximo da produção desembarcada
entre os anos de 1990 e 1994, que foi de 83,0 milhões de
t. Isso indicaria que os recursos pesqueiros marinhos tradicionais
encontram-se em explotação ao nível do seu
potencial máximo.
A análise
realizada separadamente para cada oceano, somando seus resultados,
revela um potencial um pouco maior, da ordem de 100,0 milhões
de t, pela otimização das capturas no Atlântico
Norte e no Oceano Índico.
Os
recursos cuja produção encontra-se abaixo dos níveis
históricos poderiam ser recuperados se algumas medidas de
manejo fossem adotadas, tais como: aumento do tamanho mínimo
de captura, proibindo a pesca de juvenis; aumento das malhas de
redes; e fechamento temporário ou permanente da pesca em
áreas (defeso) de concentração de juvenis (áreas
de crescimento).
Outra
medida seria a redução da produção rejeitada
pelas embarcações. A FAO estima que de 18 a 39 milhões
de toneladas de pescado de baixo valor comercial, juntamente com
elevada proporção de juvenis de espécies de
valor comercial, são descartadas a cada ano pelas embarcações
pesqueiras. A produção descartada é parte da
captura, porém, não é parte da produção
desembarcada, não sendo, pois, computada nas estatísticas
de produção. Não obstante, aumentos da produção
poderia advir da expansão da captura de recursos não
tradicionais, cujo potencial ainda não se conhece.
Assunto
que vem preocupando os especialistas diz respeito às inter-relações
que existem na cadeia alimentar entre presas e predadores, demersais
e pelágicos. Até que ponto o aumento do esforço
de pesca sobre um predador refletiria no aumento da produção
das suas presas, ou vice-versa, tendo em conta que as presas, quase
sempre, são consumidores das formas mais jovens (ovos, larvas,
juvenis) dos predadores.
Finalmente,
estudos da FAO indicam que um aumento adicional da produção,
da ordem de 20,0 milhões de t, poderia ser obtida, desde
que :
os
recursos degradados fossem recuperados
a expansão das capturas de recursos não tradicionais
fosse realizada sem sobrepescá-los
o nível de explotação máxima dos recursos
não fosse ultrapassado
se reduzisse a produção rejeitada pelas embarcações
e as perdas no desembarque
Aumentos significativos da produção pesqueira mundial
dependeriam, basicamente, do implemento da aqüicultura.
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